terça-feira, 7 de janeiro de 2014

The little things

Estamos aqui na Índia há 6 dias e já vimos e sentimos de tudo um pouco. Muitas pessoas, vacas, cabritos, camelos (que são dromedários, na verdade), cachorros, todos que cruzam a estrada o tempo todo. Muitos templos, deuses, cores e cheiros se misturam num furacão que fundem todos seus sentidos e te fazem sentir zonzo por um tempo. 



É muita informação, o tempo todo, seja pelo sotaque do inglês arrastado dos indianos, para o qual seus ouvidos tem de prestar muita atenção, ou para as crianças, que param em frente a você, e com a sorriso mais sincero, ingênuo e delicioso, acenam e dizem “hellooooo!”. E qual não é o sorriso na boca delas, quando você responde ao chamado delas. Wow... de esquentar o coração de qualquer um dos milhares de demônios hindus.

Essa mãe pefiu para que eu tirasse foto de sua filha. Os olhos das crianças são pintados com esse Kajal com cânfora, para que não infeccionem.

Mas de todas essas coisas, o que ainda não entendemos direito é a curiosidade e o interesse dos indianos pelo meu pai. Homens, mulheres e crianças o veneram. Param em sua frente, tiram foto, o chamam de “Marahaja” (Marajá), de “Mr. King”, de “Mr. Lion”, de Handsome Man... tudo o que vocês possam imaginar...


I'm not the djyvah anymore... hahahahaha
Sabemos que tem um cara em Bollywood (a Hollywood de Bombai) que se parece um pouco com ele. Disseram-nos também que ele lembra o Deus Ganesha (da prosperidade), o mais venerado dos deuses aqui da Índia. Também houve quem dissesse que ele é lindo por ter cabelos compridos e brancos. Enfim, ainda é tudo um grande mistérios, mas o fato é que se pappy quisesse ser uma grande estrela de sucesso aqui, ele poderia, ou um grande político populista, desses que beijam criancinhas mais desafortunadas em época de campanha eleitoral.


Ah, não... esse não beija os menos favorecidos... esse só rouba, mesmo!

De qualquer forma, não se pode dizer que Teresa e eu passemos em branco. Vez ou outra pegamos indianos tirando fotos de nós, ou pedem pra tirar, mesmo... Prefiro quando pedem para tirar... Hoje mesmo, eu tava tomando sol na piscina do hotel e um grupo de indianos (leia-se: 2 homens, 2 mulheres e 2 crianças) começaram a tirar fotos “escondidos” de mim. Acontece que até uma hipopótamo no cio é mais discreta que esse grupo, e eu percebi... me senti como o panda no zoológico. E não entendi se eles estavam tirando foto de mim, pq meu biquíni era pequeno, pq minha tatuagem era grande, pq eu era branca demais, loira demais... fiquei incomodada e logo coloquei a roupa. Mas ninguém na Índia inteira faz mais sucesso que meu pai Marahaja.




ANOTHER BRIC(k) IN THE WALL

Entramos na Índia por Bombai e estamos subindo até o norte de carro. Nosso querido motorista, Vickram, é uma pessoa bem simples, nascida em uma vila aqui na Índia. Ele fala um inglês que quase ninguém compreende, mas é uma pessoa maravilhosa.

Ele está atento sempre a tudo o que falamos e, num desses dias, ele, muito xereta que é, resolveu escutar o seguinte diálogo entre Teresa, meu pai e eu:

Teresa: Agora só falta você conhecer a China dos BRICS, Vitão!
Eu: E África do Sul.
Vitor: É, dos BRICS só esses dois.

Entra Vickram, o motorista mais tagarela e matusquela da face da Terra: Bricks? Yeah, I know bricks. Índia ‘bery’ good in making bricks. Brazil ‘bery’ good, too. I ‘habe’ two kinds of bricks in my house. Good bricks. Look! A pile of bricks!

E mostra um monte de tijolinhos à beira da estrada. 

Nossa vontade era sair rolando de rir, Em respeito a ele, claro, ficamos quietos.
  
THE STREET FOOD DELIGHT

Todo mundo já escutou uma história sobre alguém que veio para a Índia, comeu uma comida X, passou mal e tal. Olha, quero dizer que comi comida na rua e até agora to óitima!!! Ontem passei meio mal, é bem verdade. Mas a gente tava num acampamento no meio do deserto, eu tava sem casaco, um puta frio desgraçado (devia estar próximo do 0 grau e eu tava só com um casaquinho desses da Zara e um colete)... por isso passei meio mal. Fora isso, todos os outros dias comi de tudo, em todos os lugares, e nada aconteceu. Só tomo cuidado redobrado com a água... porque o seguro morreu de velho e não envenenado pela água da Índia. Mas comi até mesmo um docinho que um senhor X me deu na rua, no meio de um festival dos Sikhis.

Eu comi isso daqui, no meio da rua... E depois um outro doce, dado pelo velhinho. Não morri ainda... os 33 milhões de deuses hindus são porreta!!!


E é assim, meu povo... to sobrevivendo e amando esse lugar.

Sei não se volto!
Um grande beijo saudoso
Ju


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