sábado, 18 de janeiro de 2014

De charrete, jeep e rickshaw.

Interessante pensar que Brasil e Índia tem, ao mesmo tempo, um incrível potencial de sinergia, ao passo que estão tão longe de se entenderem como nações. No que diz respeito a serem polivalentes dentro de uma só República, ambos estão de acordo: não existe um só Brasil ou uma só Índia, são muitos os cenários dessas gigantes potências.

Além do mais, não há uma só versão para nada que nos contam, bem como acontece em nossas terras tupiniquins... Por aqui, para cada história, existem 1,3 bilhões de fatos e, no mínimo, 2,6 bilhões de versões, porque ninguém nunca a repete duas vezes. Exageros à parte, algo semelhante entre nossas culturas.



As diferenças sociais entre regiões e grupos também não se diferem, além de ambos serem países extremamente festivos e coloridos. Ainda, escutamos que os casos de corrupção por aqui se repetem exatamente como em nossa terrinha amada.

No entanto, o Brasil, com um sexto da população indiana, tem um povo tão pacífico, harmônico, humilde e simples. Claro que há exceções, estão aí os governantes corruptos filhos da puta para comprovar. No entanto, as pessoas com quem convivemos no dia a dia nos mostram algo completamente diferente do que nós, brasileiros, ou me atrevo até dizer, ocidentais cristãos, acreditamos ou podemos compreender.


Meu pai, físico, hermético (como ele mesmo gosta de se chamar), não entende como os indianos aceitam o Karma, as condições malfadadas a que são submetidos, como podem ser “humilhados” (dentro de nosso julgamento), sem reclamarem. Para os hindus, viver é quase um sofrimento pelo qual temos que passar, para obter a salvação e, não obstante, eles acreditam que uma alma reencarna 84 mil vezes. Ou seja, há que se sofrer 84 mil vezes – às vezes como humanos, às vezes como animais – para alcançar os céus. WOW! Eu desistiria logo de cara, se me dissessem que ainda faltavam 83.999 vezes aqui na Terra.



Todo esse blábláblá inicial, porque hoje está caindo um tóro, apesar de ser atípico no inverno, tempo de seca. E, bem, hoje descobri mais uma diferença entre nossas culturas: se você quiser comprar algo em dia de dilúvio aqui, meu amigo, minha amiga... melhor, literalmente, tirar seu cavalinho da chuva!



Tudo fecha em dia de chuva, até mesmo escolas... Nosso motorista ficou sem café da manhã, porque não havia sequer um estabelecimento aberto, onde ele pudesse comprar um samosa (pastelzinho frito, com legumes apimentados dentro), que fosse. 

Já pensou que delícia não ter que ir trabalhar naqueles dias em que SP para??? Quem sabe não aprendemos com eles...

BIKANER – UPA, CAVALINHO!

Bikaner é uma cidadezinha de pouco mais de 500 mil habitantes, fundada no fim do século XV e serviu como capital do Rajastão, sendo que hoje em dia cumpre esse papel Jaipur.

Lá visitamos o forte e o palácio, do tempo do Marajá, ambos magnifícos, e um templo jainista, onde fomos abençoados com muito cocô de pombo (lembrem que há que se entrar nos templos sem sapatos... nossas meias que usamos nesse dia foram para o lixo! O negócio era um campo minado!)

No entanto, o alto do passeio, sem dúvida, foi andar de charrete (quem diria) pela cidade. Era uma charrete aberta e sentamos de forma a interagir com as pessoas que passavam por nós. Isso é o que mais nos encanta por aqui! Fizemos um recorrido pela cidade, mercado, e parte antiga, onde existem muitas Havelis – casas de comerciantes ricos, que construíam palacetes na cidade.

Na charrete

Um pouco do movimento de uma cidade pequena

O trânsito é sempre caótico

Templo do cocô dos pombos

Dá pra entender, né?

Daí eles começaram a dançar no ceu

E eu pirei nas fotos! HAHAHAHAHHA

Pelo menos, tanto cocô de passarinho valeu pelo espetáculo que eles deram!

DO ELEFANTE À COBRA

Jaipur é a capital do estado do Rajastão, por onde passeamos até esse momento da viagem. Nesta cidade encontra-se o famigerado Amber Fort, construído no século XVI e intacto até os dias atuais, apesar dos muitos elefantes gorduchos que sobem e descem suas ladeiras com turistas. Além da fortificação em si, a área também conta com um Palácio, onde os marajás habitaram. Não existem adjetivos suficientes para descrever essa construção.

O forte



Num é uma gracinha???




Audiência pública do Palácio




Audiência Privada - só amigos e VIPs

Quando estávamos descendo do forte, encontramos esses encantadores de serpente...

Esse é o Carlos


Depois fomos dar um rolê de Rickshaw, que são esses triciclos



Paramos numa loja de tecidos e comprei esse sari para mim. Vai virar algum vestido!

Por fim, fomos a uma cerimônia religiosa em um templo de Krishna - o deus do amor. Foi uma das coisas mais impressionantes e emocionantes que vi em minha vida. A devoção das pessoas, a democratização daquele humilde espaço, a compenetração daqueles que rezavam, ao relento, sem sapatos e a sincronicidade em que faziam seus movimentos foi algo estonteante.

o templo lotado

Tentei captar o que rolava no altar... sem grandes sucessos!




CADÊ O LÉO, CADÊ O LÉO, O LÉO ONDE É QUE ESTÁ?

RANTHAMBORE E A ETERNA BUSCA PELOS FELINOS 

Se você nasceu entre meados da década de 80 e o começo da de 90 e assistia TV Cultura quando criança, deve se lembrar desse desenho, em que um garoto, Julio, ia procurar por seu leão de pelúcia, Léo, que fora levado a uma lavanderia. Lá, Julio é tragado por uma das máquinas de lavar e é levado a um mundo fantasioso, onde encontra seu amiguinho. 



Enfim, parece um enredo tosco e o é, tanto quanto foi nossa ida à Ranthambore...





Ranthambore é um parque nacional, onde habitam tigres e pode-se fazer safáris para vê-los. Acontece que não vimos nenhum tigre nos dois safáris que fizemos e nem conhecemos ninguém, a não ser os locais – que contam as melhores histórias de pescador à lá “eu palitei meus dentes outro dia com a garra de um dos tigres do parque!” – que os tivessem visto. Se eles existem mesmo ou não, ficou a dúvida...

RAWR!

Mas a parte que REALMENTE valeu a pena desse passeio foi conhecermos o forte de Ranthambore, que, reza a lenda (como eu disse, uma história, 1,3 bi fatos e 2,6 bi de versões) é do século V. A Wikipedia (perdoem a fonte não acadêmica) diz que é do século X... Mas, enfim, não vou brigar por míseros 500 anos! O fato é que nada destroi a magnitute e beleza desse forte. 

Quando chegamos, vimos milhões de “turistas” indianos, e me passou pela cabeça “oh, não... Piscinão de Ramos, here we go again!” (para entender essa referência, leia o post "Quiromancia, Hanuman, Camelos e Piscinão de Ramos"). Depois fomos entender que dentro da área do forte há um dos templos de Ganesha mais importantes de toda Índia. Muitas pessoas, inclusive idosas, sobem os quase 400 degraus para chegar a ele, por isso havia tanta gente.

Chegando ao templo, o de sempre: tiramos os sapatos, batemos os sinos (reza a lenda que há que se tocar um sino ao entrar num templo, para que os deuses percebam sua presença no recinto), e fomos para o altar, onde se encontrava o sacerdote. Eu, incauta que sou, era a primeirona, quando o vovô de testa amarela e vermelha e vestimentas brancas tira um docinho de dentro de um saco de fala:

- EAT!

Não tive nem tempo de tirar meu chiclete da boca... Aquilo virou uma meleca, mas eu ali, firme e forte, recebendo as bênçãos, pintando a cara de vermelho e amarelo também e me colocaram algo no meio da testa que parecia um arroz, mas eu tava meio chocada com aquele doce que parecia crescer na minha boca, que nem perguntei o que era. Meu pai e a Teresa, muito espertos, depois de verem o que o sacerdote havia feito comigo, pegaram o bolinho na mão, fingiram que comeram e o deram depois aos macacos.

No que terminei de comer o pedaço daquela maravilha, o sacerdote nos mostra o que ele guarda junto com todos os docinhos... Ganesha é um deus gorducho (aqui, ter barriga é sinônimo de prosperidade! Conheço alguns amigos que tem muita prosperidade chamada BREJA!) com cabeça de elefante e abaixo dele sempre tem um ratinho auspicioso, louco para comer de seus bolinhos. O ingrediente especial daqueles docinhos todos, eram ratinhos brancos, delicadamente cuidados pelo sacerdote!

Yummy!
Macacuchos on the way

Não muito seletivos quanto ao que comem...

Muuuu

Símios espertos

Algum ritual deles... ficavam pulando uns aos outros nessa muretinha... curioso!

Ruínas do forte

A vista do Parque Nacional

Novo amiguinho <3

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