sábado, 4 de janeiro de 2014

As últimas de 2013

Chegamos à Índia. Especificamente, a Mumbai (ou Bombaim), a capital financeira do país. A região metropolitana conta com mais de 20 milhões de habitantes e os contrastes sociais se vêem e se sentem o tempo todo.

Mas antes de entrar em mais detalhes sobre a Índia, quero falar sobre nossos dias em Istambul. Estávamos hospedados em um hotel ao lado da Praça Taksim, onde todos os protestos contra o atual Governo tem acontecido. A polícia está em peso nessa praça, com metralhadoras, lança chamas, gás de efeito moral e uma mangueira (dessas de bombeiros) pronta para esguichar em qualquer “baderneiro”.

Começamos nossa epopéia passeando pela İstiklâl Caddesi, uma das ruas de compras mais famosas de Istambul. Por ser um país muçulmano, em que o Natal não é comemorado, os turcos trocam presentes no ano novo, e não no dia 25 de dezembro, o que fez com que a rua de compras da cidade, no dia 29, estivesse abarrotada de gente. 

O bondinho que sobe e desce a Istiklâl
25 de Março feelings
o tiozinho do Döner posou pra foto.



Descemos até a Galata Kulesi - Torre de Galata, construída em meados do século XIV, como parte da expansão da colônia genovesa em Constantinopla. 

A torre, assim que chegamos, ainda de dia
A Torre, já de noite.

No dia seguinte, encontramos Ufuk, um turco amigo que foi nos mostrar as belezas da cidade. Primeiro fomos à magnífica Mesquita Azul, cujo nome lhe foi atribuído, devido aos azulejos dessa cor no segundo andar. Na Turquia ninguém a conhece por esse nome, sendo chamada por Sultanahmed Camii.

Construída entre 1609 e 1616, é uma das mais importantes do país, por ser a única a possuir seis minaretes. O Sultão Ahmed I a construiu em frente à igreja Hagia Sofia, e a fez maior que a mesma, como símbolo de superação do Império Otomano sobre o Bizantino.

As fotos dessa magnífica Mesquita são mais descritivas que meu texto.




A mesquita, vista de cima.


Dentro da mesquita

O teto
Como não são permitidas imagens, se descreve como eram os personagens. Aqui, a descrição do profeta Maomé.

Logo depois partimos para o Topkapi, palácio construído no século XV, que pertenceu a diversos sultões por três séculos. Como estávamos perto do ano novo, alguns navios de cruzeiro haviam atracado na cidade, dentre eles, dois italianos. No entanto, vocês sabem como italianos são (e eu tenho esse sangue correndo em minhas veias, posso falar mal...). Se há dois navios italianos na cidade, parece que são quinhentos.

Eles falam alto, furam fila, gritam, gesticulam, “ma va fanculo” de cá, “cazzo“ de lá. Eu pisei numa meleca qualquer, um deles até me deu uma piscadela e disse “Eco, la fortuna turca!”.
E assim foi no Topkapi. Milhares de italianos e espanhóis (que pappy num me ouça, mas esses também não são muito diferentes dos amiguinhos pizzaiolos) – e, por sinal, não sei onde está a tal crise que assola a Espanha... 

Bueno, vimos ali coisas maravilhosas, como a coleção do tesouro – o sexto maior diamante do mundo está nessa coleção. Pesa 2,5 Kgs!!!





Depois do almoço seguimos para a Rüstem Pasa Camii, uma mesquita do século XVI, cujo interior é todo de azulejos de Iznik. 

O senhor estava fazendo suas orações. Os azulejos, de Iznik e o carpete delimita a área em que cada um deve fazer as orações.

Fomos, então, para o Spice Market, um local mágico, onde até hoje os locais vão comprar especiarias e cositas mas, porque lá a parada é meio 25 de março... só num se vende a mãe, porque a comida dela é gostosa... Mas se a veia cozinhar mal, ela corre grandes perigos...


Piramos nos cheiros, cores e sabores e eu, particularmente, queria registrar tudo, ainda que ficasse meio tímida em tirar fotos das pessoas...







Mulheres locais comprando especiarias
Cores e cheiros
À noite, fomos passear em Nişantaşı, um bairro tipo os Jardins de São Paulo. Tava lotaaaaaaaaaaado o negócio...  E, cara, o mundo é uma ervilha pequena... lá estávamos nós na Oscar Freire Turca e de repente escutamos uma batucada e fomos espiar o que era. O som bem brasileiro, músicas típicas e tal. A princípio, esperávamos encontrar um monte de negão do timbalada, quando finalmente vimos os tipos que tocavam aquela batucada, nossa surpresa: um cara que parecia um vicking, ruivo barbudo, um outro branquelo loiro e todos os outros turquinhos, inclusive o mestre de bateria. Em seus bumbos, estava escrito "Carnaval turco desde 2002". E eles arrastaram uma multidão pelos "Jardins" de Istambul, acreditem ou não!!!

Sente o drama...

Ainda que a Hagia Sofia – sagrada sabedoria - fique em frente à Mesquita Azul, ela estava fechada no dia 30, por ser uma segunda-feira. Tivemos que voltar no dia 31. Esse é um local muito intrigante, pois conta um pouco da história de Istambul. No século VI, o rei Justiniano quis construir a maior Igreja do Mundo (lembrando que Istambul – à época, Constantinopla, era Cristã). Ele chamou os melhores arquitetos e construtores, e, em pleno século VI, demorou somente 5 anos para erguê-la. Para que se tenha uma idéia, a Basílica de São Pedro, em Roma, no século XVI, demorou 100 anos para ser construída. Mil anos depois! 

O teto de mosaicos
O interior da Santa Sofia, que no século XV foi convertida em Mesquita e, por isso tem as inscrições de Allah e Mohamed
Painel de mosaico
Santa Sofia, vista de cima
Fomos também, nesse dia, visitar as Cisternas que ficam perto da Santa Sofia. Batizadas de Cisternas de Basílica (em turco Yerebatan Sarnıcı) foram construídas em 532, utilizando 336 colunas romanas, procedentes de templos pagãos da Anatólia e foram utilizadas como reservatórios até o fim do século XIV.







Coluna com a cabeça de medusa, de um templo de Efeso.


Depois partimos para o Mercado, onde as negociações rolam soltas.



E então fomos à mesquita Suleymanie, a maior da Turquia.



Entramos, então, em um taxi. Ele não falava inglês. Queríamos ir para uma igreja que se chama Chora Church e ele diz algo como "Korakurch"? A gente diz que sim, entra no taxi e sai feliz. Só que no meio do caminho, percebemos que algo que está errado e mostramos a fotinho da igreja pra ele. Daí ele fala: "Ahhhh, no Korakurch, Kariye Camii!"

Enfim, a Igreja de São Salvador em Chora é uma das mais lindas igrejas Bizantinas. Construída no século VXI, ela conta toda a história de Jesus em mosaicos e afrescos belíssimos.



Mosaico da Igreja

Por fim, o Ano Novo! Passamos em um restaurante à beira do Bosphoro, e foi BAPHO!!!

E no dia seguinte já viemos para a Índia, onde estamos agora e, bom aqui é tudo muito louco. Difícil assimilar todas as informações, cores, cheiros, barulhos... É muita coisa de uma só vez, mas isso fica para um próximo post, que pretendo fazer amanhã, se Lord Ganesha permitir.

Um beijo saudoso, para quem é de saudade.
Namastê

2 comentários:

  1. Surreal Juba! Incrível mesmo! Fico impressionada como mesquitas e sinagogas são ambientes mais amigáveis que igrejas, menos frios, menos escuros, bem mais coloridos... Lindo!
    Continue postando! te amo!

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