A viagem, infelizmente, chegou ao fim... Na verdade, faz tempo que chegou ao fim, mas foi difícil escrever esse último post. Em parte porque eu não queria que acabasse e parte porque não deu tempo, mesmo...
Mas, enfim... Os últimos dias de Índia foram intensos, pois choveu muito e eu estava doente. No entanto, nada apagou as belezas do que vimos e as sensações maravilhosas de certos lugares.
Saindo de Ranthambore e do fiasco de não ver nenhum tigrinho, partimos para Fatehpur Sikri, em trem. Viajar nesse meio de transporte é sempre uma aventura na Índia... Muita gente, vagões repletos de malas, você nunca sabe se seu vizinho de cadeira será um indianinho falante e curioso, como o foi o caso da Teresa!
Fatehpur Sikri é uma cidade construída pelo imperador Akbar em 1569 e abandonado 15 anos depois, pela escassez de água na região. A maior parte das construções foi feita em arenito vermelho e se preserva quase intacta até hoje. Além de tudo, Fatehpur é uma cidade vizinha à Agra e nessas duas tivemos um guia - o Goyal, que era um verdadeiro paparazzo de Bollywood. Preparava as melhores fotos e cenários para nós... só que não!!! hahahahaha. Nos divertimos horrores. Confiram um pouco de seu talento falido como fotógrafo.
Panch Mahal - o palácio maravilhoso
Aqui começou a se revelar o dom de nosso guia
M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O
Panch Mahal
O guia disse que essa seria minha nova foto de perfil do Facebook
Queria roubar pra mim
Tumba do Salim Chisti
E você, já viu uma cabra com paletó???
Buland Darwaza
Dentro da mesquita
As pessoas deixam esses paninhos de oferenda... eu quis pegar tooooodos.
Janelinhas <3
Os portões de entrada
Porta
Algum amigo bigodudo quer fazer a barba aê?
Depois partimos para Agra, cuja principal atração é o estonteante Taj Mahal, que quer dizer "o palácio da coroa". Construído em meados do século XVII, é um mausoleu, conhecido como a maior prova de amor de mundo, pois foi feito pelo imperador Shah Jahan em memória à sua esposa favorita, recém falecida parindo seu 14° filho. Como diz uma amiga da minha mãe "para mim, não me fazem nem uma caixinha de fósforo enfeitada..." HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
O prédio é todo construído em mármore branco e cravejado em pedras semi preciosas.
Portão oeste do Taj Mahal
Lindão
Uma emoção vê-lo
Começam as fotos bollywood
Teve sessão casal
Tinha toda uma preparação...
HAHAHAHAHAHAHA
Making of
Até reflexo nos óculos...
Vista da plataforma do Taj
Porta de entrada
"Vai ali..."
As encrustrações
um poema em mármore branco
Sem palavras...
Não podia faltaaaaaar, né??? Tê tê tê tê tê tê tê re tê.
Pegamos, então, mais um trem, rumo à Khajuraho, mas antes passamos por Orccha, cidade fundada em 1501, no estado de Madhya Pradesh. Nessa cidade medieval, visitamos o Jahangir Mahal, um palácio construído no fim do século XVI e um templo, em que estava acontecendo uma cerimônia maravilhosa. Nesse dia eu estava muito doente, e quase não registrei nada. :(
Em Khajuraho, cidade de pouco menos de 20 mil habitantes - trata-se de um vila pequena para os parâmetros da Índia! hahahahaha - concentra-se um conjunto de templos famosos pelas suas esculturas eróticas do Kama Sutra. Khajuraho serviu de capital religiosa à dinastia hindu Rajput dos Chandelas (seguidores do culto tântrico), que controlaram esta parte da Índia entre os séculos 10 e 12.
O conjunto de templos foi construído ao longo de cem anos - de 950 a 1050 - sendo que na época áurea da cidade contavam-se mais de 80 templos, dos quais apenas 22 se encontram em estado razoável de conservação, espalhados numa área de cerca de 21km².
Eles representam a importância dos templos como centros de aprendizagem, pois os sacerdotes, sempre da casta dos Brahmanes (cultos) são os responsáveis por passarem sabedoria a seus súditos. E as esculturas nos templos são uma forma de passar esse conhecimento em uma religião em que não há um livro sagrado, como a Bíblia, a Torá, o Corão. Conta somente com épicos e, por conta disso, qualquer tipo de registro é de extrema importância. Portanto, a educação sexual também ocorria nos templos nessa dinastia, que praticava o culto tântrico e, por isso, os templos tinham esculturas do Kama Sutra.
Jahangir Mahal
Vista do Jahangir Mahal
Templo de Khajuraho
Grupo de peregrinos
Detalhes das esculturas talhadas nos templos
Alguém se habilita a tentar a posição???
O templo
Elefante safadjeeeeeenho
A base dos elefantes não safados
Indescritível
Rolava uma zoofilia tbm...
Sempre tem um japa para tirar alguma foto estranha... esse resolveu abraçar o tigre... <3
A Índia é realmente democrática... esse sem teto estava arrumando sua caminha dentro do templo.
Ficam aí inspirações de posições, galereeeee...
A chuva pelo menos deixou algo de bom: essa poça d'água refletindo o templo!
Depois desse banho de conhecimento sexual e religioso, pegamos um avião rumo a Varanasi. Não sem antes brigarmos muito. Motivo: peso das malas. Eu fui a que mais briguei... Enfim, passado o piti básico, o atraso do voo e não nos servirem comida no avião, chegamos à cidade mais espiritual da Índia. Reza a lenda que Varanasi foi fundada por Shiva e, por isso, é sagrada para os hindus, que peregrinam em bando para se banharem às margens do Ganges e se purificarem.
O Ganges tem uma escadaria às suas margens de 7km, que contam com 84 plataformas, denominadas Ghats. Os peregrinos e sacerdotes fazem seus banhos e cerimônias nesses Ghats e um deles é destinado às cremações dos mortos. Lá está tudo preparado: a madeira certa para a queima do corpo, o sândalo, o incenso, a mirra, a manteiga (ou óleo, sei lá...) e, o mais importante para os hindus: o fogo sagrado. A cerimônia acontece da seguinte maneira: o corpo chega, embrulhado em panos coloridos, normalmente laranja; somente homens carregam o corpo, pois mulheres choram muito na cremação e isso atrapalha a reencarnação daquela alma que irá se desprender. Assim que chegam ao Ghat, mergulham o corpo 7 vezes no Ganges, para purificá-lo e o posicionam na pira de madeira, que já está pronta; colocam a mirra, os incensos, o sândalo, para garantir que não fique um cheiro desagradável e o homem mais próximo do falecido acende a pira com o fogo sagrado (que deve ser comprado - não se iludem!).
Depois de umas 4 horas, tudo o que resta são as cinzas do corpo, que serão atiradas ao rio. Logo depois, aqueles que participaram da cerimônia, se banharão no Ganges, e colocarão uma roupa branca. Na casa do falecido, como símbolo de luto, não se cozinha por 14 dias, sendo função dos vizinhos e familiares levar comida. Acabado o período de luto, a família dá uma festa para todos, em agradecimento.
Varanasi é a cidade mais espiritual da Índia e se pode sentir isso no momento em que se chega lá. Participamos de uma cerimônia, em homenagem à deusa Ganga (a do rio Ganges), celebrada por 7 sacerdotes de um lado e 5 do outro. Um mar de barcos com turistas e indianos emocionados brigavam por um espaço no Ganges. Em terra firme, muitas cadeiras para ver de perto aquela beleza toda, além de milhares de peregrinos que se abarrotavam nas escadarias para assistirem e se abençoarem no culto. Foi emocionante. Ao final, as águas turvas (usando um eufemismo de sujas) do rio, transformaram-se em um rio de velinhas sobre flores, pois é parte da cerimônia que todos joguem uma flor com uma velinha em cima no rio. De arrepiar...
Margens do Ganges
Ganges e a cerimônia de cremação no Ghat
Cremações
Escadarias do Ganges
Cerimônia em homenagem à deusa Ganga
Fieis hindus misturados a turistas
No dia seguinte, novamente, mais chuva. Íamos sair às 6:30 da matina para um passeio, mas eu ainda estava doente e não pude ir, por causa do dilúvio. :( Meu pai e a Teresa garantiram que não perdi muito, mas fiquei chateada, de qualquer forma.
Mais tarde, a chuva ainda não havia terminado e precisávamos ir embora. Os barcos não podem navegar em dias de chuva... as ruas de Varanasi são MUITO estreitas, e alagam com facilidade... resultado: nós, malas, chuva, vacas, cocô delas, sujeira... QUE DELÍCIA!!!!
Minha mala ERA nova... depois desse dia, vocês não imaginam como ficou!!!
Antes de partirmos para Nova Delhi, passamos por Sarnath, cidade onde Buda deu seu primeiro sermão aos 5 amigos que o acompanhavam. Lá havia um templo maravilhoso budista e a famosa figueira, sob a qual Buda foi iluminado. Peguei umas folhinhas da Figueira para meus amigos budistas...
Portão do templo
Folhinhas da Figueira
Mantras budistas
Daí voamos para Nova Delhi... Mais piti no aeroporto, esse ainda maior! Rodei a baiana memo!!! O espírito zen já não mais habitava meu corpitcho...
Nova Delhi é a capital federal da Índia e a terceira maior cidade do país. Foi uma cidade que me surpreendeu muito positivamente, pois foi a mais organizada, limpa e linda que vimos. Não que tenha sido a que eu mais tenha gostado, pois é a mais ocidentalizada, com alamedas largas, praças e rotatórias organizadas.
Como este post já ficou enorme, e estou com dorzinha no coração de me despedir dele, vou deixar Nova Delhi para outro dia, bem como as peculiaridades da Índia. Ah, claro... e vou revelar se, ao final, na Índia tem ou não vassouras!