sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

First Stop: Türkiye Cumhuriyeti

Frio frio frio.


Chegamos ontem (26.12) em Istambul e hoje pela manhã viemos para Capadócia.

Minha última vez por aqui foi em 2006, eu tinha acabado de entrar na faculdade e ganhara dos meus pais um ticket para onde quer que eu quisesse no mundo. Eu queria Tailândia, mas fui para Egito e Turquia (hahahahahaha). Well, well... Não foi o destino que eu havia escolhido, mas mesmo assim, foram férias inesquecíveis, em vários sentidos e níveis. Tenho mixed feelings quando penso na Turquia, porque eu quase morri aqui. Mas isso é história para um livro, que eu quiçá hei de escrever, e não para o blog de peripércias de viagem! #FicaADica que ainda não fui para Tailândia! O próximo roteiro incluí, ainda, Laos, Cambodia e Vietnã.

Mas revisitar a Turquia, devo dizer, me empolgou muito... o país, além de maravilhoso, tem um quê de caldeirão cultural que me encanta. Por estar em uma área geograficamente estratégica (para os perdidos de plantão, como eu, tá aqui o mapa...) entre a Europa e a Ásia, foi palco de diversas batalhas, disputas, guerras, invasões e afins, que resultou no que é hoje.


(se você não gosta de história - i.e. a matéria da escola -, pode pular para o "I'm a Djyvah! Só que não!).

Na Península da Anatólia, que constitui a maior parte do que hoje conhecemos como Turquia, encontram-se alguns dos assentamentos neolíticos mais antigos do mundo que se tem conhecimento. Os hititas, povo que se fundiu com os hatitas, habitaram a região entre 2000 - 1700 a.C., fundaram o primeiro grande império da área (que existiu entre os séculos XVIII e XIII a.C.) e rivalizou em poder com o Egito Antigo.

A partir de 1200 a.C., as Costas da Anatólia foram colonizadas pelo Império Grego, que fundaram cidades importante, como Mileto, Éfeso, Esmirna e Bizâncio. Alexandre, o Grande conquista a Anatólia em 334 a.C. e após sua morte, a região foi dividida em pequenos reinos helenistas (Britínia, Capadócia, Pérgamo e Ponto), que foram absorvidos pela República Romana em meados do século I d.C.

Em 324 o imperador Constantino I escolheu Bizâncio para capital do Império Romano, rebatizando-a de Nova Roma (após sua morte, a cidade chamaria Constantinopla, que atualmente é ISTANBUL.) Esta foi também a capital do Império Romano do Oriente (286 - séc V), também conhecido como Império Bizantino.

Mas, mas, mas... e como a Turquia não é um país Cristão, se a influência Romana foi tão forte na região?



Enquanto tinha um monte de Bizantino na Anatólia, os Seljúcidas, povo nômade, muçulmanos sunitas, e ramo dos turcos oguzes, se estabeleceram no século X na periferia dos domínios dos Abássidas, a norte dos mares Cáspio e Aral. Um século depois, começaram a emigrar para as regiões orientais da Anatólia, que se tornariam a pátria dos oguzes após a Batalha de Manziquerta, em 1071, na qual os turcos derrotaram os bizantinos. Essa vitória foi determinante para a formação do Sultanato Seljúcida da Anatólia (ou Sultanato de Rum), que dominava a Ásia Central, o Irã, a Anatólia e o Sudeste Asiático.

Em 1243, os exércitos seljúcidas foram derrotados pelos mongóis, o que causou a desintegração de seu poder em uma série de principados. Um deles, o  dos Otomanos, se impôs aos restantes (principalmente a partir do reinado de Osman I, que declarou a independência em 1299 e funda a dinastia Otomana).

Em 29 de maio de 1493, - pausa para reflexão: pensem que, do outro lado do mundo, Europeus estão "descobrindo a América" por essa época). Vejam TUDO o que já aconteceu em terras anatólicas. Fim da pausa. - os otomanos, liderados pelo Sultão Medmed II, apelidado de Fatih ("conquistador", "vitorioso"), acabaram com o Império Bizantino e todos seus mosaicos belíssimos, ao conquistarem Constantinopla, acontecimento que marca o que muitos de nós aprendemos na escolinha como fim da Idade Média.



O Império Otomano, por sua vez, atingiu seu apogeu entre os séculos XVI e XVII, quando foi uma das maiores potências mundiais. No fim do século XVI, os territórios desse império estendiam-se em uma área de mais de 5,6 milhões de km2, que ia desde os Balcãs e partes da Hungria, até ao que são hoje os países árabes, além de toda a costa mediterrânea do Norte da África e de todas as áreas costeiras do Mar Negro.

Mas depois dos séculos de glória, vieram dois de decadência. Durante esse período, o império foi gradualmente diminuindo. No virar do século XIX para o XX, a Alemanha de Guilherme II tornou-se um de seus principais aliados, o que o levou a entrar na Primeira Grande Guerra (do lado errado, é claro...).




Até agora a história foi assim: assentamentos neolíticos - Hatitas - Hititas (que rivalizavam com Egito Antigo) - Gregos - Reinos Helenitas - República Romana - Império Romano do Oriente - Suljúcidas - Otomanos.

Em 1917, antes do fim da guerra, França, Itália e Reino Unido tinham assinado um acordo (Acordo de Saint-Jean-de-Maurienne, para os amigos internacionalistas S2), que previa a partilha do Império Otomano após o fim da guerra. Três anos depois, o império foi forçado a assinar o Tratado de Sèvres, que previa entregar à França e ao Reino Unido as Regiões da Palestina, Síria, Líbano, Mesopotâmia, a desmilitarização e transformação em zonas internacionais dos estreitos de Bósforo, Dardanelos e do Mar de Mármara. O Tratado previa ainda a entrega da região de Esmirna à Grécia e de todos os territórios europeus à exceção de Constantinopla.

A ocupação de Istambul pelos Aliados e de Esmirna pelos gregos desencadeou a criação do Movimento Nacional Turco, sob a liderança do Atatürk. Três anos de embates sangrentos, bang-bang, baionetas e afins. O fim da guerra ficou marcado pela primeira transferência populacional compulsiva em larga escala do século XX. (Acha que só você é compulsivamente transferido pra dentro do metrô às 18h00 na estação da Sé???) Calcula-se que cerca de 2 milhões de pessoas foram deslocadas das suas terras, entre cristãos da Turquia e muçulmanos da Grécia.

Dessa forma, acaba o Império Otomano em 1 de novembro de 1922, quando a Grande Assembleia Nacional aboliu o cargo de sultão, destituindo Mehmed II (o tal Atatürk). O primo (briiiiimo) Abdülmecid II foi nomeado califa. A família real foi expulsa um ano depois e o Atatürk tornou-se o primeiro presidente da Turquia (com um brimo desses, quem precisa de inimigos, hu?!)



Mas Atatürk era bastante pra frentex... empreendeu um vasto programa de reformas, para tornar a Turquia um estado secular moderno: as mulheres passaram a ter os mesmos direitos legais dos homens, inclusive de voto, algo que não existia, em muitos países europeus. O código civil foi publicado com base no suíço, e o penal, no italiano. A educação passou para as mãos do Estado, sendo encerradas as escolas islâmicas.

I'm a DJYVAH! Só que não!


Quem me conhece e lembra minhas aventuras pelo mundo muçulmano, sabe que eu sou a rainha dele. Já me disseram que eles gostam de loiras, de clarinhas, de mulheres com curvas acentuadas (fiquei na dúvida se isso era elogio ou não... hahahahah). Enfim... o fato é que minha auto-estima por aqui vai às alturas. Um Sheik já ofereceu seu filho pra casar comigo, já quiseram dar a minha mãe um dote de 30 mil camelos (que ela só num aceitou, pq, segundo ela, eles fedem e babam demais) e ela já quase me trocou por diversas mercadorias e tapetes persas. 

Enfim, como não poderia ser diferente, aqui na Turquia também é assim. Ontem à noite, depois de ficar sozinha no Piano Bar (drunken forevis alone), resolvi ir para meu quarto. Três turcos estavam ali no Lobby também, e foram junto comigo para o hall de elevadores. Apertaram o botão para descer e eu, para subir. Assim que o meio de transporte chegou (com o indicativo de que desceria), eles me perguntaram: 
- Are you coming? (Você não vem?)
- Are you going up? (Vocês vão subir?)
Eles falaram qualquer coisa em turco e me respondem:
- Yes.
Não querendo parecer rude, eu entro no elevador, afinal, estou num hotel bom e o elevador é de vidro. Meu andar, que é o 12, já está apertado... Um deles me pergunta, com todo aquele sotaque adorável:
- Where are you from? (De onde você é?)
Eu, meio seca:
- From Brazil. (do Brasil)
Ele continuou:
- I'm from Turkey. (Sou da Turquia)
Deduzindo que ele não era de Istambul, já que estávamos num hotel, perguntei:
- But not from Istaumbul, right? (Mas não de Istambul, certo?)
- From Istambul! (de Istambul).

Eu já estava com medinho, sem entender mais nada... chegou meu andar, dei um "boa noite" seco, saí correndo pro meu quarto. Passei por um cara com um colete que dizia qualquer coisa como "Serviço". Dei boa noite e entrei rápido. Nem 5 minutos depois, as luzes do meu quarto se apagaram e não ligaram mais. Nem sequer os abajures. Eu não achava meu celular e tive a brilhante ideia de abrir a porta do quarto para procurá-lo, mas eu já estava só de calcinha, porque ia entrar no banho. Eis que na hora que abro a porta, escuto uma voz grossa dizendo: "hello". 



Meu coração veio à boca, achei que era um dos meninos estranhos atrás de mim, que eles tinham desligado a luz do meu quarto, para entrar nele. Num ato súbito de reflexo, bati a porta. Liguei para a recepção, disse que minhas luzes não estavam funcionando e o mesmo senhor com o colete "serviço" apareceu na minha porta, com um inglês meio macarrônico:
- Lady, you, no afraid. We problem lights. I help. (Moça, você sem medo. Nós problemas luz. Eu ajudo.)

Eu fiquei mal, em pensar que tinha batido a porta na cara dele... Mas, né?!

Bom, esse post já ficou imenso.
Amanhã posto as fotos e histórias de hoje.
Beijos.
Ju



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